terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Diversão | Missiva para Ione Neix Campos

Foto Vi Vis
Divertida menina...foi brincar no carrossel, galopante, girou, girou.
Luzes no parque, fim de tarde, maça do amor, roda gigante, girou, girou.
Riu... que se esbaldou, suou, riu... que até se urinou.
Arrancou os sapatos, babou sorvete no vestido, atirou bala no ursinho, ursinho ridículo! Gargalhou.
Divertida noite, a Monga escapou, a fera avançou, fingiu que se assustou, gritou, gritou.
Foto Vi Vis

Assombrosa madrugada, trem fantasma, monstros, vampiros, lobos querem comer chapéuzinho, ela gritou, gritou.
Adormeceu exausta no banco traseiro do carro, mãos meladas de algodão doce, boca melada de doce, cabelo embaraçado de vento de montanha russa, sujeira nas unhas, borrada pintura, dorme, dorme, dorme transfigurada e sonha ainda com as risadas, sonha que está na praia, na festa, no bar, na confeitaria, no cinema, na cama redonda, no tapete, na banheira, no escuro atrás do muro da igreja.
Sonha com o coral das freiras, com o sino à badalar bem alto, alto o bastante para abafar seu gozo rascante. Acordou molhada, entrou em casa e foi direto pro chuveiro... outro divertidíssimo brinquedo...



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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Desapego


foto Vi Vis
 
Desapegada de tudo, consolou os inconformados que choravam o leite derramado e recebeu do alado mensageiro o mapa da encruzilhada, agradeceu e curiosamente foi ao encontro do remetente.

Ele estava a sua espera com o tridente na mão a ameaçar os condenados, os culpados, os exilados acorrentados, eternamente submetidos aos seus cuidados, pois tratavam-se de homens de pensamentos envelhecidos e de mulheres de sentimentos envaidecidos.

Ela se comportou bem no banco dos réus, jurou dizer a verdade, nada mais que a verdade e disse com coragem que merecia a liberdade, mesmo tendo cometido um crime terrível, mesmo tendo confessado sua participação no assassinato, ela foi convincente junto aos jurados e depois de tê-los consolado, estava finalmente livre pra encarar o chifrudo simpático.

Ele recebeu-a com um abraço, ela então desamarrou os velhos pensamentos, retirou as algemas dos pulsos dos vaidosos sentimentos e convidou-os a dançar ao sol. Dançaram, suaram, riram e mudaram.

Ela também havia mudado, tinha finalmente desapegado do passado, da imagem do crime, da morte dolorosa de sua própria alma torta. Não sentiu falta, e preenchida de novos pensamentos e de humildes sentimentos, harmonizou-se com o tempo que concedeu a ela o equilibrado peso de seu coração com a leve pena da compensação.

Assim começa...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Secreta

Foto Vi vis | Cia de Afrodite
Meus Deus! A casa caiu!
Então mãos à obra, faremos uma reforma.
Vamos aproveitar as sobras, os entulhos e começar levantando os muros.
Com a ajuda do escultor, do pintor, do restaurador e do consultor para assuntos da dor, faremos resurgir das cinzas, num palco antes em ruínas, uma protagonista ovacionada e aplaudida.
Ela ficará comovida, dará autógrafos, posará para fotos, mandará beijos para os paparazzis fofoqueiros.
Discreta e modesta entrará em recolhimento nos aposentos de seu camarim, beberá uma taça de gim, trocará o vestido pela calça jeans e sairá pelos fundos, de óculos escuro.
Ela seguirá secretamente seu rumo.
O rumo de sua história.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O ORÁCULO SOBRE A MESA

Retiro do fundo do poço escuro a confissão do crime cometido, tratava-se de uma uma cópia mal feita da  existência dela. Trago para superfície a gosmenta mentira e jogo-a sobre a mesa para analisá-la com clareza.


Feia, muito feia.


Então concluo:


Uma, só existe uma. Única. Se há outra, é a falsa, a intrusa, a covarde, a burra.


Estou nesse exato momento desfazendo o mal entendido e expulsando a boazinha do Paraíso, pois sinto muito informar-lhes, mas deste território cuido eu, desde o princípio, muito antes de inventarem as serpentes sedutoras e as folhas de parreira para taparem-lhes as vergonhas.


Muito antes...


Volto a reinar sob a luz das estrelas.


Volto a ouvir o canto do corvo anunciando o chegada do anjo de asas negras e de olhos vendados. O anjo que voa desgovernado, flechando às cegas o coração dos desprevinidos mortais.


De agora em diante, sempre que o anjo cair de sua nuvem cinzenta e voar por sobre a cabeça dela, cairá uma chuva grossa e ela abrirá um guarda-chuva cor-de-rosa. Então a flecha, num bate e volta, acertará o anjo, que voará cambaleante em direção a outro coração errante.


Está previsto que ela ficará atenta e resguardada. Que não será novamente vítima de outra farsa.


Sua imagem será preservada e amar a si própria será o seu eterno compromisso. Ela será autora da obra, página por página, linha por linha, todas as palavras serão suas verdades relatadas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Quartzo Rosa

Desta vez deu as costas para o triste retrato dos prisioneiros do mal amado, do mal olhado, do mal humorado.

Do mau agouro. Ah...o agourento, tão necessária sua presença, pois com sua astúcia e destreza fez de refém os tristonhos e libertou o espírito risonho.

Que linda aparição, a do espírito brincalhão.

Foi ao encontro da amável gangorra, sentou-se no centro e ficou aguardando, em silêncio, a chegada dos namorados que, desavisados ocupariam cada qual seu lado, e com frio na barriga, descida e subida, frente a frente, equilibrariam suas forças e revezariam a alegria da suspensão e o olhar admirado daquele que promove a elevação.

Que diversão!

Existem brinquedos para serem brincados aos pares.

Brincadeira de corrupio, por exemplo, é vertigem para dois, quando há três, deve-se brincar de outras coisas. 

Na gangorra do risonho, frio na barriga tem outro nome... e Eros é quem escolhe o par, convidando-nos a brincar de amar.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Jornada Noturna do Mar

Missiva para Thaís Mori


Alimentou suas crias: uma gata, uma cadela. Sem falar da ligação recebida do filho, alimentando-a de carinho. Estava a caminho do destino já construído pelos pilares de seu sagrado ofício. Vestiu-se com a roupa mais nua do guarda-roupa e foi avisada que, lá onde ela estava sendo chamada, havia uma velha senhora muito justa e sincera que exigiria dela retidão, obrigação e prudência na confecção de sua embarcação. A travessia seria longa, os recursos escassos, o mar estaria bravo e a noite escura daria  passagem a lua para que ela avistasse a terra firme e aportasse sã e salva, santa e alva como a bruma.


Adriana Azenha

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Detrás pra frente ou O descompreendido

.entendimento o quero eu tristeza de chorar mais quero não eu ira a quero não eu irritada ficar quero não eu paz quero eu leve peito mágua sem dor sem amor o quero só  acolhidos e respeitados sejam afetos meus que quero estrada minha apaixonada seguir iguais meus dos luz a com aprender preciso for que tempo o esperar,